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BRASIL - ITÁLIA

           Não obstante viver na Itália, em Florença por 37 anos (1959-1996) e agora, retirado em casa recuperada por ele, Scheffel continua ligado ao Brasil através do mundo da cultura, de sua família e de seus amigos, além de ser Sócio Correspondente do Instituto Histórico de São Leopoldo, é Presidente Vitalício da Entidade que leva o seu nome - com o encargo de Conservador do Patrimônio Artístico e Histórico dos Museus de Arte da Fundação Ernesto Frederico Schefel e Comunitário Casa Johann Peter Schmitt em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul - Brasil.

 


Instituto de Belas Artes - 1941


Scheffel aos 13 anos - ingresso nas escolas Técnica Parobé


Prof. João Cândido Canal - Mestre de Scheffel na Escola Técnica Parobé

           Sua família descende de imigrantes de Berghausen, Wittgensteiner Land - Westfalia, Alemanha, que chegaram ao Brasil em 1825.

           E. F. Scheffel, (quinta geração no RS do imigrante Johann Christian Scheffel Junior e sua esposa Anna Maria Müsse), nasceu em Campo Bom a 8 de outubro, 1927, como os irmãos Alice, Albano Nelson e Lia - filhos de Albano J. Scheffel e Hilda Jacobus Scheffel. O artista Ernesto Frederico é do signo Libra, ascendente Libra e Coelho de Fogo do Horóscopo Chinês.

           Descoberta a sua inclinação artística por Irene Dick Jacobus, Prof. Ernesto Bernhoeft e Odon Cavalcanti, Frederico entra em seu período mágico - é matriculado em 1941 na Escola Técnica Parobé e Instituto de Belas Artes de Porto Alegre, com o apoio do Governo do Estado, Interventor Oswaldo Cordeiro de Farias e Secretário de Educação J. P. Coelho de Souza.

           Com Bolsa de Estudos em 1950 pelo Estado do Rio Grande do Sul, Scheffel está com 22 anos e inicia a sua batalha artística, concorrendo anualmente ao Salão Nacional de Belas Artes, enquanto assistente particular do grande pintor Oswaldo Teixeira - Diretor do Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro, Brasil.


Scheffel 
- "Poço de Petrarca"
 Arezzo, 1960

           De 1951 a 1958, Scheffel conquista as Grandes Medalhas de Bronze, de Prata e o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro pelo Salão Nacional de Belas Artes. Parte em 10-05-1959 para a Europa, visitando e estudando os principais artistas e museus em Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Bélgica, Holanda, Alemanha, Áustria e finalmente Itália, Florença, onde fixa a sua residência eletiva.

           A maturidade artística desenvolvida no Brasil, Scheffel a deve essencialmente aos Mestres João Cândido Canal, em Porto Alegre na adolescência, e após a Oswaldo Teixeira, no Rio de Janeiro. No campo da Música de Câmara e Coral, esteve integrado à Escola do Maestro Max Hellman e Liselotte Köbig Finck, no Rio de Janeiro.

           Em setembro de 1959, Scheffel chega à Florença, Itália, centro da cultura e arte do Renascimento. A cidade cativa o artista que tinha afinidades com os mestres renascentistas, principalmente com Andrea Verrocchio e Leonardo Da Vinci.


Prof. Antonio Berti

Contra-luz, o Estudo de Cavalo de Scheffel

Scheffel no jardim da 
Academia de Belas Artes de Florença

           Começa uma nova vida para Scheffel: a convivência em um ambiente de cultura e arte e o contato com outro idioma, fizeram com que ele saísse de seu mutismo e se expandisse. Além de dedicar-se intensamente à composição musical, música de câmara e orquestração, inscreve-se na Academia de Belas Artes desta renomada cidade - praticando a Escultura, realizando o “Estudo de Cavalo” (1959-60), na sala do Professor Antonio Berti, o qual convida o aluno a trabalhar em seu ateliê, em Sesto Fiorentino, tornando-se um de seus grandes amigos. Aperfeiçoa a técnica de Relevo com o professor G. Albano, Nu Artístico, Gravura e Afresco. A sua vida criativa completa-se com um ateliê: um cavalete para a Pintura e um piano para a Composição Musical.

           Chega o convite do professor Augusto Vermehren, do Laboratório de Restauro da Galeria dos Ofícios: restauração pictórica dos “Quatro Filósofos” de Rubens, "Bianca Cappello" de autor desconhecido do Renascimento, quatro trabalhos Flamengos de propriedade da Rainha da Romênia, "Homem Desconhecido" de Tintoretto, "Felipe IV" de Velazquez, "Felipe II" de Tiziano, e "Cardeal Bibbiena" de Rafael.


Scheffel com o Prof. Vermehren e estudantes. 
Florença, entre 1960 e 1962.


Scheffel posa com o seu primeiro trabalho - prova de restauração: Retrato de Bianca Cappello.


Réplica do Crucifixo de Cimabue

Entalhe em madeira, 1967
Documento do Diretor Geral da Superintendência dos Museus e Monumentos Arquitetônicos da Toscana, Dr. Ugo Procacci:
     
"O senhor Scheffel fará uma cópia em tamanho natural do Crucifíxo de Cimabue, esta cópia será por ele doada à cidade de Florença que, talvez, a destinará à ONU, na sua sede de Nova York, para mostrar a gratidão da cidade e poder, possivelmente, obter ainda outros apoios financeiros.
Se trata, portanto, da parte do senhor Scheffel , obra elogiável sob todos os aspectos." Ugo Procacci


“Efígie de 
Pedro Américo”

Realiza oito Obras Públicas inauguradas a partir de 1964, com a “Efígie de Pedro Américo” - bronze em Via Maggio, 11; “Sagrado Coração de Jesus”, óleo sobre tela - 1965; a “Madonna del Pitto”, afresco - 1966; "Batismo de Jesus Ignesti" - afresco 1968; Tabernáculo da "Anunciação" de A. Berti - Projeto Arquitetônico em 1968; "Batismo de Jesus" - Igreja Maria Imaculada de Sesto Fiorentino, 1968; "Pavimento em Mosaico" - tijolo, na Villa Il Pitto - 1970; e o "Beato Giovanni da Vespignano" - óleo sobre madeira, em Vicchio- Mugello, 1970.

 


Monumento ao Sapateiro


Scheffel realiza o seu primeiro mosaico em Florença
 na déc. de 1960 no atelier de Anna Brigida.

           O "Estudo para o Monumento ao Sapateiro" realizado para a 1ª FENAC (1963) de Novo Hamburgo, encontra-se hoje, em Campo Bom. No mesmo ano é apresentado, (em primeira audição), uma composição musical de Scheffel pelo Maestro Pablo Komlós, dirigindo a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - OSPA..

           Depois de cerca dez anos de intensa atividade compositiva, como autodidata, Scheffel em 1970 estuda, rigorosamente, com o Maestro Arrigo Benvenuti Composição e Orquestração durante mais três anos, tornado-se um contrapontista contemporâneo.Os três anos de estudo de Música de Câmara e Orquestração com o Maestro Armando Fanelli serviu, igualmente, à preparação musical, como o Estudo de Harmonia com o Maestro Newton Pádua do Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro, na década de 1950.

           Enfim, a "Sesquibral", 150 anos da Imigração e Colonização Alemã no RS - 1974. Scheffel é convidado pela municipalidade de Novo Hamburgo. A exposição do Artista riograndense sobressai no espaço Strassburger e os Municípios de Novo Hamburgo, Campo Bom e São Leopoldo mostram-se interessados em acolher, permanentemente, a obra de Scheffel.


RP. Fips Schneider, Prefeito Miguel H. Schmitz, Presidente Geisel e Scheffel. Sesquibral, em 1974


Exposição no espaço do Grupo Strassburger, 
em 1974 na Sesquibral

           Outro convite é apresentado ao artista - convite aberto e de colaboração no assessoramento cultural com a Empresa de Previdência Privada APLUB, de Porto Alegre, por parte de seu Fundador, Dr. Rolf Zelmanowicz, humanista e atento observador do Patrimônio Cultural em nosso Estado.


Olinda Alessandrini, piano e E.F. Scheffel, barítono


Ateliê de Scheffel - espaço especial APLUB

           A Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul e Ernesto Frederico Scheffel assinam um contrato com o fim de criar um Museu de Arte exclusivo para a exposição pública, conservação e divulgação da obra do artista riograndense. O espaço da atual Fundação Ernesto Frederico Scheffel, presta-se a atividades culturais como: Música de Câmara, Conferências e Lançamento de Livros. A Entidade posiciona-se pela Preservação do Patrimônio Cultural e a Pesquisa Histórica no Estado.


Assinatura oficial do contrato entre E.F. Scheffel e a Prefeitura Municipal de Novo Hamburgo na administração do Pref. Miguel H. Schmitz e Dr. Ivo Strimetzer.


Inauguração da atual Fundação Ernesto Frederico Scheffel, em 5 de novembro de 1978, pela municipalidade de Novo Hamburgo, na gestão de Eugênio Nelson Ritzel


Scheffel entrega o jornal Hamburgerberg" 
em 5 de abril de 1983

           Em 1983 foi criado pela Fundação Ernesto Frederico Scheffel o jornal de cultura “Hamburgerberg” - voltado à recuperação do Centro Histórico da cidade. O Museu de Arte da Fundação Ernesto Frederico Scheffel atua de forma estimulante - a serviço da população.

           A pinacoteca da Fundação Ernesto Frederico Scheffel possui um acervo de mais de 385 obras de autoria do próprio Scheffel, fazendo com que ela se constitua numa das maiores pinacotecas do mundo com obras de um único artista, possuindo algumas das suas melhores e mais significativas obras.

           Os quadros expostos nos três pisos do estupendo casarão, erguido por Adão Adolfo Schmitt no fim do século XIX, com características neoclássicas, são apresentados obedecendo à ordem cronológica de criação e estão agrupados conforme a temática e técnicas utilizadas para sua execução. No primeiro piso, estão os quadros que marcaram sua fase inicial, de sua adolescência até seus 22 anos. Algumas são de caráter regionalista, justamente por retratarem os lugares, a região que deu origem à sua carreira. No segundo piso, encontram-se as obras que participaram dos vários Salões de Belas Artes no Rio de Janeiro, na busca do “Prêmio de Viagem ao Estrangeiro”. São obras do gênero épico, simbolista, e do realismo poético. Finalmente, no terceiro piso, encontram-se obras de sua fase na Europa.


Casa recuperada por Scheffel, 1989-1996.

           Adquirida uma ruína no Parque Nacional delle Apuane da Toscana, em 30 de setembro de 1989 - depois de oito anos de exigente trabalho de recuperação - Scheffel transfere-se com sua bagagem, de Florença para o "Valle del Sercchio" - Província de Lucca, em setembro de1996.

 

 



SCHEFFEL E SUA MÚSICA


Pablo Komlós

           Em 1963 Scheffel apresenta-se como compositor de música, em primeira audição, através da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre-OSPA, dirigida pelo Maestro Pablo Komlós.

           Por cerca de dez anos, desde dezembro de 1959, Scheffel em isolamento no seu primeiro estúdio em Florença, mantém uma intensa atividade compositiva, considerando-se autodidata. Por três anos estuda Música de Câmara e Orquestração com o Maestro Armando Fanelli, do Conservatório Cherubini.


A. Benvenuti

           Em 1970, Scheffel aperfeiçoa-se com o compositor A. Benvenuti, Professor do Conservatório Cherubini em Contraponto e Orquestração, por mais três anos. Como resultado desse período exaltante, foi apresentada novamente em Porto Alegre pela OSPA e dirigida pelo Maestro Silva Pereira a sua "Toccata e Fuga", em comemoração ao Sesquicentenário da Imigração e Colonização Alemã no Rio Grande do Sul, em 1974.

           Entre 1983-84 a Associação dos Profissionais Liberais Universitários do Brasil-APLUB em Porto Alegre, colocou à disposição um espaço como ateliê e auditório onde Scheffel pudesse realizar audições de Música de Câmara, Conferências e Registro de Som - convidando o artista personalidades do mundo da cultura riograndense para efetuar documentos históricos. No mesmo período, a APLUB possibilitou a realização pioneira de um disco dedicado à música erudita riograndense, gravando dez composições inéditas de Ernesto Frederico Scheffel, através da Orquestra de Câmara da OSPA, regida pelo Maestro Arlindo Teixeira.


Registro de Som: Dr. Marcello Sfoggia, Claudio Chachamovich e Luizilla Sfoggia. Regente: Arlindo Teixeira e Orquestra de Câmara da OSPA.


1983/84. Disco pioneiro de música erudita no Rio Grande do Sul - Orquestra de Câmara da OSPA, dirigida por Arlindo Teixeira - Dez composições inéditas de E.F.Scheffel

           A iniciação musical de Scheffel parte em 1949, por sua iniciativa, com a Organista Elza Kunz Hexssel de Hamburgo Velho, Novo Hamburgo -RS, prossegue com o grupo coral do Maestro Maximiliano Hellman, e Liselotte Köbig Finck, Profº Lopes Moreira na Música de Câmara e o Violoncelista professor de Harmonia, Newton Pádua do Conservatório Brasileiro do Rio de Janeiro, entre 1950-1958.

           A música de Ernesto Frederico Scheffel foi dirigida pelos regentes: Pablo Komlós, Silva Pereira, Humberto Carfi, Piero Gamba, Túlio Belardi, Arlindo Teixeira, Ernani Aguiar, José Pedro Boéssio e Antônio Carlos Borges Cunha.