
Dr. Rolf Zelmanowicz
Scheffel tem multisensibilidade artística. Tanto a exterioriza através das artes plásticas como através da música.
Nasceu para ser um homem das artes.
Dentro da impaciente banalidade humana e do veloz consumo tecnológico de nossa época, ele esteve sempre além do homem atual.
Em entrevista recente declarou-se anti-conformista com a nossa sociedade, que considera semi-adormecida quanto à nossa educação cultural e à natureza, pela qual nos tornamos senhores responsáveis.
Quando faz arte com talento e a técnica exercitada desde menino, desenvolvendo o preciosismo idôneo dos grandes mestres, com criatividade renovada sobre temas atuais, ele está contestando e provocando.
Em 1956, H. Pereira da Silva, crítico do Diário da Noite - Rio de Janeiro, em artigo declarava que Scheffel nos lembra a arte de Pedro Américo na introversão: ..."Há mesmo, talvez pelo desenho, certa semelhança em diversos deles com Pedro Américo. As batalhas de Scheffel, porém, não contam feitos épicos, patrióticos, históricos. São diferentes da 'Batalha do Avai'. Elas narram acontecimentos íntimos, frustrações, esperanças, fé e incertezas de uma sensibilidade em luta com a realidade."
Assim como as luzes de uma estrela brilhante levam anos ou séculos para chegar à terra, Scheffel tem consciência que sua arte também levará tempo para chegar ao nosso mundo, ao qual veio para embelezar e valorizar. Certamente ele não é um "marqueteiro" e gosta de certo isolamento. Por isso, no terceiro capítulo da sua vida, retira-se periodicamente para o alto do "Valle Del Serchio" - Província de Lucca, Itália.
Lá, o seu ser vibra em estado de enamoramento com sua música e sua pintura. E, no labirinto dos seus pensamentos afloram as explicações do mundo irracional e racional.
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